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Tô namorando aquela mina
Mas não sei se ela me namora
Mina maneira do condomínio
Lá do bairro onde eu moro

Tô namorando aquela mina
Mas não sei se ela me namora
Mina maneira do condomínio
Lá do bairro onde eu moro

Seu cabelo me alucina
Sua boca me devora
Sua voz me ilumina
Seu olhar me apavora

Me perdi no seu sorriso
Nem preciso me encontrar
Não me mostre o paraíso
Que se eu for, não vou voltar

Pois eu vou
Eu vou

Eu digo "oi", ela nem nada
Passa na minha calçada
Dou bom dia, ela nem liga
Se ela chega, eu paro tudo
Se ela passa, eu fico doido
Se vem vindo, eu faço figa

Eu mando um beijo, ela não pega
Pisco olho, ela se nega
Faço pose, ela não vê
Jogo charme, ela ignora
Chego junto, ela sai fora
Eu escrevo, ela não lê

Minha mina, minha amiga
Minha namorada
Minha gata, minha sina
Do meu condomínio
Minha musa, minha vida
Minha Monalisa
Minha Vênus, minha deusa
Quero seu fascínio

Minha mina, minha amiga
Minha namorada
Minha gata, minha sina
Do meu condomínio
Minha musa, minha vida
Minha Monalisa
Minha Vênus, minha deusa
Quero seu fascínio

Minha namorada
Do meu condomínio
Minha Monalisa
Quero seu fascínio

Minha namorada
Do meu condomínio
Minha Monalisa
Quero seu fascínio

Minha namorada
Do meu condomínio
Minha Monalisa
Quero seu fascínio


Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar


Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.


Eles são duas crianças a viver esperanças, a saber sorrir.
Ela tem cabelos louros, ele tem tesouros para repartir.
Numa outra brincadeira passam mesmo à beira, sempre sem falar.
Uns olhares envergonhados e são namorados sem ninguém pensar.

Foram juntos outro dia, como por magia, no autocarro, em pé.
Ele lá lhe disse, a medo: "O meu nome é Pedro e o teu qual é?"
Ela corou um pouquinho e respondeu baixinho: "Sou a Cinderela".
Quando a noite o envolveu ele adormeceu e sonhou com ela...

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela das histórias, a avivar memórias, a deixar mistério.
Já o fez andar na lua, no meio da rua e a chover a sério.
Ela, quando lá o viu, encharcado e frio, quase o abraçou.
Com a cara assim molhada, ninguém deu por nada, ele até chorou...

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

E agora, nos recreios, dão os seus passeios, fazem muitos planos.
E dividem a merenda, tal como uma prenda que se dá nos anos.
E, num desses bons momentos, houve sentimentos a falar por si.
Ele pegou na mão dela: "Sabes Cinderela, eu gosto de ti..."

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.

Cinderela

Então,
Bate, bate coração!
Louco, louco de ilusão!
A idade assim não tem valor.
Crescer,
Vai dar tempo p'ra aprender,
Vai dar jeito p'ra viver
O teu primeiro amor.


Vou andando, cantando
Tenho o sol à minha frente
Tão quente, brilhante
Sinto o fogo à flor da pele
Tão quente, beijando
Como se fosses tu

Ao longe, distante
Fica o mar no horizonte
É nele, por certo
Onde a tua alma se esconde
Carente, esperando
Esse mar és tu

Pode a noite ter outra cor
Pode o vento ser mais frio
Pode a lua subir no céu
Eu já vou descendo o rio...

Na foz, revolta
Fecho os olhos, penso em ti
Tão perto, que desperto
Há uma alma à minha frente
Tão quente, beijando
Por certo que és tu

Pode a lua subir no céu
E as nuvens a noite toldar
Pode o escuro ser como breu
Acabei por te encontrar

Vou andando, cantando
Tive o sol à minha frente
Tão quente, brilhando
Que a saudade me deixou
Para sempre,
Por certo
O meu Amor és tu.


Dou-te o meu amor
se mo souberes pedir, tonto
Nâo me venhas com truques
pára, já te conheço bem demais

Dou-te o meu amor
sem qualquer condição, por ora
Mas terás de provar que vales
mais Que o que já mostraste ser

Se me souberes cuidar,
já sei teu destino
Li ontem a sina,
a sorte nos rirá, amor

Se quiseres arriscar
não temas a vida
Amor, este fogo
não devemos temer

Dou-te o meu amor
em troca desse olhar, doce
Não resisto e tu tão bem sabes
Tenho raiva de assim ser

Tudo em mim, amor, é teu, podes tocar, não mordo
Sabes bem que não minto, tonto
Meu mal é ter verdade a mais

Se me souberes cuidar,
já sei teu destino
Li ontem a sina,
a sorte nos rirá, amor

Se quiseres arriscar
não temas a vida
Amor, este fogo
não devemos temer

Se me souberes cuidar,
já sei teu destino
Li ontem a sina,
a sorte nos rirá, amor

Se quiseres arriscar
não temas a vida
Amor, este fogo
não devemos temer

Foram já partilhados todos os detalhes, bem como  os horários e novidades da edição deste ano do Nos Alive, que registou duas baixas: Poliça e Chromeo. O festival realiza-se no passeio Marítimo de Algés nos dias 10, 11 e 12 de Julho.

Entre as últimas novidades regista-se a mudança dos Imagine Dragons do Palco Heineken para o Palco NOS, a confirmação dos The Black Mamba e o concerto dos Parov Stelar Band em substituição dos Chromeo. Os passe de 3 dias já se encontra esgotado, assim como o bilhete de dia 10. Disponíveis estão ainda o passe de 2 dias e o bilhete individual para 11 e 12 de Julho.



Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade


Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.

António Lobo Antunes

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.

Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.
Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido....Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem.

A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.

Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira.

E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo.
que ninguém sabe quem é
( E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes
e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa

A maioria das pessoas conhece Andy Warhol, pelos seus famosos retratos da Pop Art, que representam, na maioria das vezes, elementos da cultura popular, começando pela Marilyn Monroe até a lata de sopa “Campbell”. 

O excêntrico artista  foi rápido a tornar as caras das celebridades Americanas e ícones consumistas em obras reconhecidas, no entanto sempre teve receio em capturar o lado obscuro da paisagem cultural do país, mas fê-lo na obra “Race Riot” de 1964.


A brilhar em vermelho, branco e tons azuis, a imagem faz parte da colecção “ Death and Disaster” de Warhol, e é uma exploração do poder das imagens jornalísticas tiradas do seu contexto original para serem publicadas no reino da arte contemporânea. A colecção conta com mais do que 70 quadros e impressões de: acidentes de carro, suicídios, execuções e explosões, arrancadas directamente das páginas dos jornais e arquivos policiais, transformando-as em obras de arte repetitivas e intensas.

O Warhol explicou as origens das suas colecções:

“Suponho que foi a fotografia do grande acidente de avião, na capa do jornal que dizia: 129 mortos. Eu estava a pintar as Marilyns. E apercebi-me que tudo que eu fazia tinha a ver com a morte. Era Natal ou Dia do Trabalhador – um fériado – e todas as vezes que se ligava o rádio, só se ouviam coisas do género “4 milhões vão morrer.” 

Andy Warhol que trabalha com acrilíco e serigrafias, reproduziu uma fotografia de cães policias a atacar os defensores dos direitos civis – “Race Riot” –, em Birmingham, no Alabama, em 1963. E esta foi a obra principal do leilão de artes na Christie’s, pronta para ser leiloada a partir de $50 milhões, acabou por ser vendida por $62 milhões.


Ao olharmos para os quadros de Sara Morris, da exposição de nome “Academia Militar”, o que primeiro nos chama a atenção são as formas geométricas encharcadas em cores primárias. Mas na verdade o que estamos a ver é um código abstracto a representar o Brasil, incorporando um idealismo visual inspirado em caixas farmacêuticas, gaiolas, livros em cima de fruta, música “Bossa Nova”, tal como os trabalhos de Roberto Burle Marx, Lina Bo Bardi, Oscar Niemeyer e J.G. Ballard.


Os ilusórios quadros e filmes de Sarah Morris são baseados nas curvas eróticas, cores intoxicantes e as trevas a emergir na história da política do Brasil. Sarah conjuga, a imagem erótica que o Brasil demonstra, com as complexidades mais sinistras que o Brasil não mostra, através de formas vivas, círculos volumosos, e grelhas majestosas.

Sarah Morris confessou de onde vinham as suas inspirações numa entrevista para a “ARTINFO”: “Eu procuro a inspiração para as imagens e cores em tudo o que é literário. De uma forma, os meus filmes funcionam como um manifesto, eles funcionam como uma entrada para tudo o que os meus olhos capturam. E eles também funcionam como um gráfico, arquivando tudo o que consumo num palmo de um dia inteiro.” 


Sarah Morris acha o Brasil particularmente cativante, hipnotizante e obscuro, incluindo as experiências que teve que envolveram voôs perdidos, discussões agressivas, muitas caipirinhas com vodka, que se tornaram num hábito que começou há já algum tempo e que ainda se mantém.

Quando se fala em design internacional, a história presta muito mais atenção a nomes como Frank Lloyd Wright, Josef Offman, Le Corbusier e Robert Venturi, criando um arquivo com os maiores êxitos da história do design, preenchido na maioria das vezes, com… homens! 

Ray Eames – versão feminina de Charles Eames – muitas vezes é reconhecida e inserida no arquivo, mas nomes como Charlotte Perriand e Margaret MacDonald são muitas vezes deixados de parte por causa da famosa “norma” dos géneros.

Está a decorrer actualmente uma exposição, no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, que tenta equilibrar a história, despertando uma imagem diferente de figuras icónicas do design, que merecem ser reconhecidas. Desde mobílias a têxteis, de design gráfico a projectos cerâmicos, etc... Que cobrem um século de designers femininas cujas histórias foram sempre deixadas por contar, com o nome curioso de “Designing Modern Women, 1890-1990”. 

Os objectos em vista – arrancados da própria colecção do MoMA’s – são obras de mulheres como Lilly Reich, Eileen Gray, Eva Zeisel e Denise Scott Brown. No entanto, recentes critícas da exposição levantaram problemas com a organização da exibição, as critícas foram quase todas apontadas para o facto de questionar se as peças protegidas levantam dúvidas e curiosidades dignas de explorar. Para o público, como é que o design moderno afectou a imagem do estereotipo feminino durante o passar do tempo?

“As mulheres nasceram para ser apenas colaboradores?”, perguntou Ken Johnson no New York Times, “ou decidiram fazer parcerias, com pontos de vista limitados nas suas capacidades criativas, para se chegarem à frente de uma profissão dominada por homens?” 

Não temos a certeza, que estas sejam as explicações lógicas para as perguntas acima – mas, também não temos a certeza, que Johnson, um critíco com a mania de generalizar a arte, seja o melhor exemplo para digerir esta exibição. Talvez as mulheres não sejam colaboradoras “natas”, mas reconheceram os benefícios criativos de trabalhar lado-a-lado com outras pessoas, fossem eles femininos ou masculinos. 

Observe e apreciem15 de muitas artistas femininas que deixaram as suas marcas no design moderno:


Luba Lukova (Americana, nascida na Bulgaria). 
“Não há morte para as músicas, 1987.” Serigrafia, 25 ½ x 38” (64.8 x 96.5 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta da designer, 1998.


Magda Mautner von Markhof (Austríaca, 1881-1944). “Kalenderbilderbuch (Calendário com Livro de Fotos), 1905.” Xilogravura, 4 x 9 1/4 x 1/2″ (10.2 x 23.5 x 1.3 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta de Jo Carole e Ronald S. Lauder.


Noémi Raymond (Americana, 1889–1980). “Têxtil com Padrão Azul e Quadrados.” Antes de 1941. Algodão, 49 x 45″ (124.5 x 114.3 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta da designer.


Lina Bo Bardi (Brasileira, nascida em Itália. 1914–1992). “Exposição da Agricultura Paulista de 1951.” Litografia, 20 x 13 3/4 (50.8 x 34.9 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta da designer.


Eva Zeisel (Americana, nascida na Húngria. 1906–2011). “Cadeira Flexivel.” 1948-1949. Aço tubular cromado e Algodão, 28 1/2 x 26 x 26 1/2″ (72.4 x 66 x 67.3 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta da designer.


Grete Jalk (Dinamarquesa, 1920–2006). “Cadeira Lounge, 1963.” Contraplacado Teca, 29 1/2 x 24 3/4 x 27 1/4″ (74.9 x 62.9 x 69.2 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta de Jo Carole e Ronald S. Lauder.


Helene Haasbauer-Wallrath (Suiça, 1885–1968). “A Cozinha Prática, 1930.” Litográfia, 35 1/2 x 50″ (90.2 x 127 cm). Oferta de Jim Lapides e do Fundo de Compra de Arquitectura & Design.


Bonnie Maclean (Americana, 1949). “Os passáros de jardim, As Portas, 1967.” Litografia Deslocada, 21 ¼ x 14″ (54 x 35.5 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque.  Compra © Wolfgang’s Vault.


Eileen Gray (Britânica, nascida na Irlanda. 1879–1976). “Ecrã, 1922.” Varas de madeira e metal lacado, 74 1/2 x 53 1/2 x 3/4″ (189.2 x 135.9 x 1.9 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Fundo de Hector Guimard.


Margaret E. Knight (Americana, 1838–1914), Charles B. Stilwell (Americano, n. d.), Companhia da Máquina da União do Saco de Papel (Filadélfia, PA, est. 1869). Saco de papel com fundo plano. 1870–1880. Papel, 13 3/4 x 7 x 4″ (34.9 x 17.8 x 10.2 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta do fabricante.


Karin Schou Andersen (Dinamarquesa, 1953). “Talheres, 1979." Polímero ABS e aço inoxidável, garfo: 7 1/8 x 1 1/2 x 5/8″ (18.1 x 3.8 x 1.6 cm), colher: 7 1/4 x 1 3/4 x 3/4″ (18.4 x 4.5 x 1.9 cm), faca: 5 1/4 x 4 x 5/8″ (13.3 x 10.2 x 1.6 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta do fabricante.


Greta Magnusson Grossman (Americana, nascida na Suécia. 1906–1999). “Aparelho de Iluminação Cobra, 1948.” Alumínio envernizado, aço esmaltado e aço cromado, 27 1/2 x 11 1/4 x 13″ (69.9 x 28.6 x 33 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta do fabricante.


Marianne Brandt (Alemã, 1893–1983). “Bule, 1924.” Prata níquel e ébano, várias dimensões, altura 7″ (17.8 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque.  Fundo de Phyllis B. Lambert.


Gae Aulenti (Italiana, 1930–2012). “Mesa com rodas (modelo 2652), 1980.” Vidro, metal e borracha, h. 11 1/4 x w. 27 1/2 x l. 54 5/8″ (h. 28.6 x w. 69.9 x l. 138.7 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque.  Oferta de Donn Golden. © 2013 Sergio Asti


Charlotte Perriand (Francesa, 1903–1999), com Le Corbusier (Charles-Édouard Jeanneret; Francês, nascida na Suiça. 1887–1965), e ATBAT. “Cozinha da Unité d’Habitation, Marseille, França, 1952.” Vários materiais, 88 x 105 1/2 x 72″ (223.5 x 268 x 182.9 cm). Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Oferta de Andrea Woodner, 2011

Vista das Instalações do “Designing Modern Women 1890-1980.” © 2013 Museu de Arte Moderna, Nova Iorque. Fotografia: Thomas Griesel.

"Desenhar Mulheres Modernas - Designing Modern Women" vai estar em exposição no MoMA até 21 de Setembro de 2014.

Em Londres, um retrato pintado por Francis Bacon, do seu amor e musa vai a leilão, com um preço estimado de £30 milhões libras ($50 milhões).

“O Retrato de George Dyer Talking”, retrata um jovem londrino com quem Bacon teve uma relação turbulenta. Esta obra foi exibida no primeiro espetáculo retrospectivo de Francis Bacon, em Paris, em 1971. George Dyer, a musa do quadro, suicidou-se  antes de abertura do espetáculo.


O especialista de arte contemporânea da Christie’s Europe, Francis Outred, declarou na Quarta-Feira que a pintura oferecia “um poderoso retrato de um dos maiores amores de Bacon, com 100% de certeza.”

Será leiloada pela Christie’s Europe em Londres.

O valor da obra de Bacon aumentou consideravelmente desde a sua morte, em 1992. Em Novembro passado, um tríptico de Bacon que retratava o artista Lucian Freud, foi vendido por $142 milhões, sendo rapidamente reconhecido como uma das obras artistícas mais caras, alguma vez vendidas em leilão.


Em São Francisco um tribunal federal de apelaçõo, ressuscitou o longo legado de uma família judaica, para que estes reconquistassem o direito sobre uma obra de arte no valor de $20 milhões, confiscada na Alemanha  Nazi, durante a Segunda Guerra Mundial.

Para o fazer, o tribunal reintegrou uma lei Californiana que permite acções judiciais sobre disputas de direitos de propriedade sobre arte, que já vai para além dos 100 anos. Este processo reverteu-se para uma decisão de invalidar a lei, pois infringia os direitos exclusivos do governo federal sobre negócios estrangeiros.

O que está em questão é um quadro do impressionismo Francês “Rue St. Honore, Apres-Midi, Effet de Pluie” – pintado por Camille Pissarro em 1879.


O grande empresário Alemão Julius Cassirer comprou a pintura no ano seguinte, e a pintura passou para o seu filho Fritz, quando Julius morreu. Quando Fritz decidiu fugir da Alemanha Nazi em 1939, foram obrigados a deixar o quadro com o governo, em troca de $360 e um visto para sair do país.

Após a Segunda Guerra Mundial, a mulher de Fritz - Lilly - tentou, sem sucesso reencontrar o quadro. Um tribunal alemão atribuiu a Lilly $13.000 como compensação pelo roubo da pintura. Lilly faleceu em 1962 e deixou um único herdeiro: Claude Cassirer.

O Barão Hans-Heinrich Thyssen-Bomemisza, cujo tribunal considerou “Um dos maiores coleccionadores de arte privada”, rebento do alemão Thyssen, dono do império de aço, comprou a pintura. E em 1993, o Barão, juntamente com o governo Espanhol puseram a colecção de artes numa fundação sem fins lucrativos com o nome “Fundação de Thyssen-Bomemisza” num palácio museu. 

Em 2000, um amigo de Claude Cassirer, ligou-lhe para o avisar que a pintura estava exposta num museu Espanhol. Após várias negociações com a governo Espanhol e a fundação, conseguiram finalmente chegar a um acordo, Cassirer arquivou o processo contra a fundação no Tribunal Federal de Los Angeles.

Após a morte de Cassirer, os seus filhos, David e Ava, pegaram no processo e substituiram-no por um processo judicial contra a fundação Thyssen-Bornemisza.


E no ano passado, o tribunal ordenou que o caso voltasse para o juiz, para que este analisasse os méritos deste processo.

E o advogado da fundaçãoThyssen-Bornemisza, Thaddeus Stauber, delcarou que “A fundação continua a manter os seus direitos legais sobre a pintura”.

Stauber considera que Lilly Cassirer perdeu os direitos legais sobre a pintura assim que decidiu aceitar os $13,000 dados pelo tribunal Alemão para compensar o roubo. A família contrapõe, alegando que nunca desistiu dos direitos sobre o quadro, e que esse dinheiro era para compensar o roubo do quadro, que continuou perdido nos anos 50.

Viu o filme “Mil Palavras” de 2012? Na verdade pouca gente viu. Os últimos 3 filmes de Eddie Murphy renderam apenas $2,30 nas bilheterias por cada dólar do seu salário, tornando-o o ator de Hollywood demasiadamente mais bem pago, do último ano, de acordo com um estudo da revista “Forbes”.


A atriz Katherine Heigl está em segundo lugar, rendendo apenas $3,40 nas bilheteiras por cada dolar do seu salário, no seu último filme “À Segunda Não Me Escapas”, que não teve retorno nem de metade dos $40 milhões que foram investidos.


Já se sentiu limitado, alguma vez, pelas cores que uma caixa de lápis de cor nos pode apresentar?

Então imagine poder pegar numa ferramenta que extraia a cor de um objecto de qualquer natureza e a transforme em tinta. É inacreditável! É como fazer scan de uma cor, mas com o privilégio de a poder usar realmente.

“Scribble” é a nova caneta inteligente, que nos vai permitir ter este privilégio. A caneta combina mais de mil tonalidades de cor, transferindo-as para o papel. A ferramenta trabalha em conjunto com uma caneta e uma aplicação móvel, para conjugar as cores que nos atraem também nos nossos telemóveis ou tablets. Isto é ir além dos limites!


A ponta está equipada com 16 megabytes, com sensor de cores em RGB para que possamos  guardar todas as cores que quisermos. Basta agarrar na caneta por cima, do bolo de chocolate na montra de sobremesas daquele café, da capa de um livro, ou de uma mancha que não consegues tirar da camisola e a Scribble irá analisar a cor e reproduzi-la para tinta, através dos seus cartuchos recarregáveis.

Imaginemos, por exemplo, sermos seduzidos pela cor majestosa de cerejas, brilhantes e deliciosas em cima da bancada da cozinha, bem, basta-nos segurar a Scribble por cima dela e copiar a sua cor atraente para podermos usá-la no papel ou nos ecrãs de telemóvel.

Tanto a caneta de tinta como a ponta, têm ambas mais de 6 cêntimetros, com tecnologia de bluetooth sem fios, e com uma bateria recarregável. Até agora, o mais próximo que já vimos desta fonte de cor, foram as canetas de ponta redonda com cores sortidas da Bic.


A Scribble, pode com certeza, oferecer-nos muito mais opções que Bic Azul Royal, no que toca a desenhar céus, a única limitação aqui, é a nossa imaginação.

A caneta vai ser comercializada por menos de $150, e a ponta, para uso digital, vai estar a menos de $80. Nenhuma das opções está já à venda, mas se estiver ansioso para começar a pintar o mundo, pode inscrever-se para receber um alerta quando a caneta estiver disponível para aquisição.

É natural que pensemos a música como o melhor meio terapêutico. Na maioria das vezes, somos DJ´s, sem treino, das nossas próprias almas, ágeis a seleccionar as músicas que vão alterar o nosso estado de espírito para melhor. Mas poucos de nós pensariam em virar-se para a arte visual para nos ajudar nestas situações, poucos de nós relacionamos a pintura e a escultura como a nossa vida emocional.

Não temos playlists das nossas imagens favoritas nos nossos iPads. Não temos galerias privadas nos nossos computadores. O custo e prestígio da arte levam-nos a vê-la como algo exclusivo, algo que nos faz pensar que não temos o que é preciso para poder apreciá-la. E a forma como as galerias expõem a arte, não é suficientemente convidativa para podermos entrar e ver se nos identificamos com as obras.

Nas solenes galerias  dos museus, que é onde apanhamos pistas sobre como nos devemos comportar em relação à arte, muitos de nós ficamos – dentro dos nossos corações – perdidos. Olhamos para as legendas e obedientemente aprendemos informação básica sobre o quadro, a sua origem e quem o pintou, e por vezes uma expressão idealizada para a tal imagem. Mas será que isso realmente nos importa? A arte deveria servir para quê?

Esta última questão, durante muitos anos, foi sempre vulgar, ou simplesmente irrespondível. E isto é inaceitável. Se a arte merece o majestoso prestígio que recebe, então deveria ser fácil saber o propósito da sua existência. Nós acreditamos que a arte é, em última análise, um meio terapêutico, tal como a música. Ela, também é um meio através do qual podemos recuperar certas coisas como a esperança, dignificar o sofrimento, desenvolver empatia, rir, admirar, estimular a sensação de comunicação com os outros e reconquistar a sensação de justiça e do idealismo político.

Mas, para que a arte possa fazer estas coisas por nós, nós temos que nos aproximar dela da maneira certa. Precisamos de a interpretar, não de acordo com os critérios da arte histórica, por muito interessantes que esses critérios sejam, mas de acordo com um método psicológico que nos convide a mergulhar nas profudenzas das obras artísticas. Como é que se faz um caminho terapêutico psicologico da leitura da arte? Uma selecção de obras artistícas sugerem um metódo…


Esperança

Ponte sobre uma Lagoa de Lírios de Água, Claude Monet, 1899

Os quadros de Monet são uns dos mais populares no Museu de Arte Metropolitana em Nova Iorque. Isto é preocupante para muitas pessoas de classes sofisticadas, que tomam o gosto da “beleza” como um sintoma de sentimentalismo, ou simplesmente um sintoma de estupidez. A preocupação é que o gosto por arte deste género é ilusório: quem gosta de lindos jardins está em perigo de se esquecer das condições reais da vida, cujas incluem a guerra, doença, problemas políticos e a imoralidade. As pessoas precisam constantemente de arte para se relembrar desse tipo de condições, e as pessoas mais sofisticadas propõem sempre obras que iludem as pessoas e as afastam da percepção do que a vida é realmente.

Mas isto é para localizar o problema no sitío errado. Para a maior parte de nós, o maior risco que enfrentamos não é a auto-satisfação; pois poucos de nós são propensos a esquecer os males da existência. O verdadeiro risco é o de nos afundarmos em fúria, depressão, desespero; o perigo é de podermos perder a esperança no projecto da humanidade.

É este tipo de desespero que a arte está apta para corrigir, e isto explica a fundamentação popular do entusiamo pelo “belo”. Flores na Primavera, céus azuis, crianças a correr na praia… estes são alguns dos símbolos visuais que representam a esperança. A alegria é um objectivo e a esperança é algo a louvar.


Cuidado

Vidro Veneziano do Século XIV

As oficinas de vidro de Veneza tornaram-se famosas no período medieval por produzirem os mais delicados e elaborados vidros transparentes que a humanidade alguma vez viu. Na maioria das vezes, nós temos que ser fortes, não podemos deixar que a nossa fraligidade venha ao de cima. Nós sabemos disto desde criança, temos um pedaço de fragilidade em nós, mas mantemo-lo sempre escondido. No entanto o vidro veneziano não se desculpa pela sua fraqueza, mas sim admite a sua delicadeza, faz com que o mundo perceba que este vidro pode facilmente ser danificado.

O vidro não é frágil por deficiência ou por acidente. Não é que o seu criador estivesse a tentar criar um vidro duro e resistente e em seguida – estupidamente – acabasse por ser algo que uma criança conseguisse partir facilmente. É frágil e fácil de danificar como consequência pela busca de um vidro requintado, que acolhesse a luz do sol e a luz das velas nas suas profundezas. O vidro consegue ter maravilhosos efeitos, mas o preço é a sua fragilidade.

Sendo assim, é dever da civilização permitir que a delicadeza humana prospere, para se criarem ambientes onde é aceitável ser frágil. É óbvio que o vidro pode esmagar-se, é por isso que usamos os dedos com ternura e cuidado. É tudo isto um conto moral sobre delicadeza, contado através de um recipiente para bebidas. Isto é treinar para os momentos mais importantes das nossas vidas, quando o ser-se moderado fizer parte das nossas realidades, pois ser maduro é ter consciência do efeito das nossas forças sobre os outros. Executivos, estejam a vontade para tirar alguns apontamentos.


Empatia

O Crepúsculo da Vida, Sydney Tully, 1894

É difícil, preocuparmo-nos com as outras pessoas, especialmente com as pessoas mais velhas. No retrato de Sydney Tully, está uma senhora de idade, curvada e pensativa contra um fundo luminoso. Estamos a ser encorajados a olhar por muito mais tempo do que geralmente olhamos, ela costumava ser forte e assertiva, ela teve amores, ela decidiu cuidadosamente, sentar-se com uma emoção tranquila no final da tarde.

Agora, é difícil ser amada e ela sabe disso. Fica irritada e vai-se embora. Mas ela precisa de outras pessoas para cuidar dela. Qualquer pessoa pode acabar no lugar dela, e há momentos em que um monte de pessoas – em qualquer ciclo de vida – são mais difíceis de amar ou admirar. O amor está ligado, na maioria das vezes, à admiração: nós amamos porque achamos a pessoa excitante e única. Mas também há outro aspecto para amar, quando somos comovidos pela necessidade do outro, é quando floresce a generosidade.

E Tully é generoso para a sua amada, o pintor olha com ternura para a cara da senhora e questiona-se, quem ela realmente é?


Apreciação

Um Idílio: Daphnis and Chloe, Nicola Pisano, 1500-01

No amor genuino de Daphnis e Chloe, Pisano envoca o principio do amor, o momento em que a graça e o carinho do outro nos é intensamente apresentado. Daphnis vê Chloe como uma preciosidade, ele nem se atreve a tocá-la. Toda a sua dedicação, a sua honra e as suas esperanças para o futuro lhe são vívidas. Ele quer merecê-la, ele não sabe se ela o vai amar, e esta dúvida intensifica a sua delicadeza.

Aos seus olhos, ela não pode ser garantida. Visto por alguém numa relação de longa duração, quando ambos se tornaram um hábito pois já são completamente familiares, surge esta imagem com particular necessidade de acordar as sensações esquecidas de gratidão e admiração pela pessoa que temos ao nosso lado.


Relacionamentos

A Agonia na Cozinha, Jessica Todd Harper, 2012

Se prestarmos atenção, hoje em dia estamos cercados por imagens que representam as relações de hoje – muitas são decepcionantes e dolorosas para as nossas próprias chances de nos contentarmos com a outra pessoa. As pessoas raramente falam com sinceridade sobre o que se passa dentro dos seus relacionamentos.

Por de trás do silêncio, está uma necessidade de manter as aparências sobre o progresso dos desafios da vida adulta: a capacidade de ter sucesso em ser feliz com outra pessoa.
Nós precisamos de obras de arte que nos mostrem que os nossos problemas são ambos tristes e normais. Não precisamos do diametro oposto das imagens fantasiosas de Hollywood. Extremos sobre a violência doméstica são raros, mas dia após dia, as batalhas são universais, embora não sejam representadas e vistas.

Na imagem de Jessica, um casal que planeava ter uma bela tarde, já não a vai ter, porque correu tudo mal. Uma pessoa sente-se furiosa e a outra chora. No entanto, podem ser boas pessoas, não estamos aqui para os condenar. Eles são afáveis, mesmo estando no meio de um problema intenso de se resolver.

A arte pode funcionar como um depósito privado de verdades, que são demasiado peculiares e inaceitáveis para serem partilhadas com pessoas que conhecemos.


Consumismo

Cozinheira com Natureza Morta de Vegetais e Frutas, Nathaniel Bacon, 1620

A ideia do consumismo como sendo algo mau, é uma praga que venceu o mundo moderno. No entanto, o consumismo é retratado no seu melhor pelo amor aos frutos da terra, deliciando-se com a ingenuidade humana e devido à apreciação das vastas conquistas do comércio organizado. Esta pintura leva-nos a viajar no tempo, para as alturas em que a abundância era algo novo que não devia ser levado por garantido.

Nós temos tanto medo da ganância, que nos esquecemos o quão honroso pode ser o amor pelas coisas materiais. Em 1620, a homenagem podia ser paga através da nobreza de trabalhar e da nobreza de ser comerciante, algo que a culpa e o tédio tornam menos acessíveis na nossa sociedade hoje em dia. Talvez possamos aprender algumas coisas com esta imagem. Uma boa resposta ao consumismo, não é viver sem melões e uvas, mas sim apreciar o trabalho que temos para poder obtê-las um dia.


Um mergulhador sul coreano vestido de Pai Natal mergulha num aquário de sardinhas.

Uma mulher caminha no "Rain Room", uma instalação artística em Londres.
O que acontece quando um designer ambientalista conhece a zona Vegas Strip, onde se localizam a maioria dos hóteis e casinos de Las Vegas? Nasce o maior edifício do mundo feito de garrafas de cerveja recicladas.

O Morrow Royal Pavilion em Henderson, Nevada foi construído por Scott McCombs, que usou mais de 500.000 garrafas de cerveja descartadas nos casinos de Las Vegas, que foram recicladas e transformadas num material que Scoott chama de “GreenStone”.


Scott McCombs teve a ideia de construir os 30.000m2 das instalações da sua empresa com garrafas de cerveja, depois de ter visto a grande quantidade de garrafas que eram desperdiçadas pelos hotéis e casinos de Las Vegas. “Ele sabia que precisava de criar algo que pudesse dar espaço para utilizarmos as garrafas desperdiçadas, e ainda ter espaço no terreno. E estando em Vegas… tinha de ser algo em grande.”, declarou Carla DiBlasi, que trabalha na empresa.


A maior parte do trabalho foi feito à mão e levou mais de um ano para ficar terminado. Foi apresentado no “2013 International Builders Show" de Las Vegas, e podemos verificar o porquê.

O Edifício é uma verdadeira e majestosa replica do castelo Inglês “Swarkestone Manor”. E de acordo com o “Inhabitat-forum de arquitecturas ecológicas”, este edifício preveniu milhares de garrafas de serem atiradas para o lixo, e salvou 400,000 metros cubicos de terreno, ou aproximadamente 8 campos de futebol.