Quando o cisne cantar
não mande flores.
Envie-as enquanto ainda se faz silêncio.
Doe-as vivas,
e escolha as comuns, como rosas simples e violetas.
Quando o cisne cantar
não ofereça coroas.
Coloque versos verdadeiros, sem plágios,
a respeito de momentos felizes.
Porque as palavras inspirarão os que ficam
a propagarem o bem.
Quando o cisne cantar
não coloque o, até então, elemento hospedeiro em abrigo caro.
Se possível, deixe-o descansar sob árvores,
onde os compostos orgânicos serão mais uteis.
Deste modo, não relembre a partida.
Traga à memória a vivência,
as raras, mas sinceras, confissões de afeto.
Quando o cisne cantar
não chore demais.
Pense no quanto a corrente,
que prende à vida, ficou pesada.
Houve libertação,
a alma finalmente conseguiu retornar para face ariel,
há tanto tempo perdida.
Shelle Hilário Pedreiro
